sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Gato Tesserato

Tangente sangue verde, transente, transpassa, romance com o desconhecido nasce, interlaça. O gato fascina, pulsa, instiga almas numa veia comum. Envenenada? Viva?

Ângulos quebrados, bi, tri-dimensionados papo reto decifrado, portal aberto: Tesserato.

Cripta – Fluxo agrega, gera, usina termo-amorosa mescla, sombras, luzes multicolores transbordam, união, fusão, geração. Rapaz, olhe, sinta amor sagaz, nunca fugaz, sempre paz. Flui e faz.

Humanos compartilhados, confiados, bebedouro esverdejante, contagiante, tangenciante. Auras absorvem, sorvem, retransmitem cristais, cubos vitais.

Quanta, quarta, acessa? Observa a poesia. Singela. Liberta.

Viagem alvorada






Desperto você lá pelas 4 ou 5 H da madrugada do calendário gregoriano humano. Nos conectamos para conversarmos a língua dos anjos, a língua que não é dos homens. 

Essa não é capaz de revelar o universo em si nas entrelinhas, que é onde está toda riqueza do que nos foi concedida.

Somente o tom e linguagem poética se aproxima de uma milésima parte de algo que tentamos tocar e não conseguimos. Tentamos materializar em verdades ditas pelos homens, palavras, métodos e guia de propósitos para uma vida a dois, que é impossível. Constatamos. 

Viajo para sua cama antes do alvorecer. Você desperta ao meu lado, abre seus olhos gigantes com néctar de amor que brilha somente pra mim nesta terra. Te toco a face com minha mão quente e te tranquilizo, como sempre consigo com meu poder de calor amor. Ajeito seus longilíneos cabelos misteriosos e fascinantes, e acomodo sua face em meu peito latente. Conecto com seu calor vibrato em verbo, sujeito e predicado. Seu ouvido pulsa meu coração na mesma corrente alternada que retro alimenta nossa alma. Sentimos a vida em outra dimensão naquele instante.

Ainda com sua face incandescente em minha pele, sem qualquer palavra vociferada, abro o livro e leio o trecho de Coríntios 13. Enfim compreendemos que não precisamos dizer mais nada um ao outro. Apenas pulsar no amor e seguir nossos rumos equidistantes e itinerantes.

Sabemos a profundidade que alcançamos que é como mergulhar no oceano e acessar uma cidade só nossa, como uma Atlanta que apenas nós dois vemos sem escafandro. Uma cidade de arquitetura rica de cores e poesia, onde o amor com a língua dos anjos é possível. Sem a desconfiança dos homens, o amor flui. O poder divino transborda. Flores diversas, roseiras de tom só nosso. Pássaros que traduzem a sinfonia e sintonia que só nós dois atingimos e sentimos.

Você acorda. Uma corrente marítima nos separa os corpos. Deixo esta poesia escrita em lápis de arquiteto em seu criado mudo. Mudo, saio sem palavras ou gestos. Apenas pulso e respiro seu pulsar. Limpo o clima denso da nossa última conversa, que é pequenez na imensidão de nossas entrelinhas, de suas linhas de curvas montanhosas que aprecio tanto.

Meu poder de viajar para seu quarto se desvia para outra corrente. Preciso ir, o sol se pôs e a beleza da alvorada se liquefaz e diz adeus em forma de nuvens acinzentadas nesta manhã de 20 de novembro de 2018. Me despeço com um beijo que traz a multidão que habita em nós para o presente que nunca se esvai. Te desejo feliz aniversário e a felicidade do amor do universo de um Deus sem fim. Deixo registrado nestas palavras poéticas o afeto, respeito e profunda admiração pela simplicidade de uma mulher grandiosa que és. 

*versão editada de mensagem de Whats App enviada em 20.11.18. 
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1- Coríntios 13 - Nova Versão Internacional (NVI-PT)

13- Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine. 2 Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei. 3 Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado[a], se não tiver amor, nada disso me valerá.
4 O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. 5 Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. 6 O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. 7 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
8 O amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará. 9 Pois em parte conhecemos e em parte profetizamos; 10 quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. 11 Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino. 12 Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido.
13 Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Cor Amor


Photo Collage, by Laura Redburn (UK)

O quadro negro é verde.

A vida que parece ser finita em cinza é infinita luz.

O amor é luz , a cor amor é laranja cura, brasa laranja de frescor amor é vida. O fogo espírito, respira renova, inspira e suspira, resuscita. Sinta.

Vida indefinida nunca finita, sempre reluz e se realumia com a sombra que reequilibra, sou de libra.

Viva cor amor laranja amor, morra sombra no ciclo infinito do amor, sem pudor. Viva verde para ver vida.
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quarta-feira, 21 de março de 2018

Klint diz: Cinza finita - Poesia

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Gonçalves - Mg


Flor lilás vivaz atrai figuras belas. Abelhudas mel-feitoras, borboletas bailarinas, beijam flores combinam cores.
A borboleta Klint de formas infinitas, sueca com sua família de ancestrais, que estudamos os tais, se aproxima. Alba Alma inspira, busca, Klint presencia a poesia, Cravo respira e compartilha.

Acende o fogo na noite fria. Da Mantiqueira vazia, tons do dia de visitas que beijam flores, agora dormem enquanto chama amarela manda nas cores. Tudo termina em cinza, nascemos da chispa viva que vira cripta, laranja, azul, tronco madeira vira grisalho madeixas.

Alba Alma e Cravo Caboclo equilibram retenção barra liberação, expurgam invasão. Brincam com os tons de variantes megatons, sensações se multiplicam, sueca klint ensina, que no fim o cinza é a cor finita.

   *Borboleta Klint refere-se a Hilma af Klint – artista sueca do século 19 e pioneira da arte abstrata.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hilma_af_Klint

sexta-feira, 9 de março de 2018

Miniatura dentro dela pantera - Poesia




Amor amor penetra , nela pantera, miniatura singela, Sou observou. Travou?
Notas na Sala de Sala de baqueta gemeu em ré , si bemol em cada canto, forma luz sem gênero, forma água dimensionou. Pantera viajou, música harmonizou.

Muda muda algo? Muda expressa sentimento liberto, amor profundo transformação indigerente, será fluidez? Ou dúvida talvez? Transformação, transmutação. Corpo não? Tesão confirmação, sem indagação, apenas ajuste penetração. Parlapatróis será pra nóis?

Sou sei futuro do futuro é presente momento presente, instante incessante, profundamente  amante glande. Nosso tamanho no éter fluído, insignificante, amor amor forma e ajunta água, fogo, ar, terra, logo presente agiganta, forma monstro doce presente, peludos libertos se agranda.

Delicada Labareda - Poesia




Ela branca tez, ele caboclez. Naquela manhã de altivez, tezão com Z , Tiozão e Tiazona fez.
Ao som rítmico labareda, alquímico calor saborea, chama viva buscam madurez, as vezes palidez, as vezes lucidez.

Sem muita polidez, branca tez maciez falta sensatez. Faire laissez ou passer laissez?

Delicada corda tempo, intenso denso, intenso tenro, as vezes compasso às vezes descompasso, nunca distenso, sempre limpo lenço.

Tempo de eternos instantes queimam no fogão à lenha ateia, quiabo, mandioca, batata, pimenteia.

Numa altitude hormoniosa na teoria das cordas esplendorosa, multiuniversos se encontram com jovens pestos em janta primorosa.

Rua Capitão Augusto Agraciado - Poesia



Antes éramos curiosos, hoje maduros prazerosos.

Antes sem códigos, não conscientes, apenas caminhávamos, as vezes displicentes.

Hoje prazer confiança, amizade, amor embebido sangria, bahia, aliança.

Augusta degusta línguas fortes. Confiança liga mulata & branca, sabor de tapa, balança. 

Cinema triangulado: Sem sexo, só nexo, na rua Capitão Augusto Agraciado.

Ela Pantera - Poesia


 
Caminha liberta com sutileza, olhar pantera, vocifera.
As vezes insensatez, embriaguez, teagacez. Branca tez muita vez com vislumbrez, harmonia onze seis seis, talvez?

Moscas recolhem e absorvem, exorcizam acúmulos ancestrais, os tais que nem se sabe seus sais. O silêncio harmoniza, o recolhimento mata e energiza. O fogo regurgita, o éter purifica, o denso se esvazia. Amor fluxo queima amarras brancas, sombras, cripta falsa de terror dissoluto no ato. Amor matador. Libertador.  

Móbile da reconstrução nasce num movimento nem mais nem menos, só no mando de voz de pantera mística adorável, que afronta o tempo em dimensão quarta maior, levanta e anda, se equilibra, sutil, viril. Liberta caminha. O clamor do beijo matuto reconstrói. Amor em amor impulsiona, evolui, tudo flui. Isso tudo aqui na eternidade agora presente de sangue vida, tesão, respiração.    

Respiram a terra, só nós - Poesia

 
Rahu gera dúvida, cruzam-se linhas, fantasmas, nós, invasão e desconexão. Pretéritos desafiam a mente cármica em pré dor, não amor. Só barulho, ruído sem som. Momento de reclusão, local tenda tesserato. Outros femininos se juntam, celebram, se purificam, blindam, se amam.

Rahave entra, rompe, limpa perigosas ligações. Descruza algoritmos maledicentes, envolventes, que buscam o âmago do amor pró, sua essência, sua busca para tocar, ter para si, sem conseguir, fogem.

Floresce o pró amor, entram no nós veraz, fundido, sentem o som de suas árvores, olfato terroso, som veraz, paz. Seus colibris entoam, harmonizam. Só nós, não nós, travas que se esvaem com o poder pró, só nós, só som, só pró.

O nós veraz é maior, no nós mergulhados, conectados, transmutam, dançam ao som da natureza universal, transcendental. Respiram sincronizados, a mãe terra fertiliza, o feminino fricciona amor pró, rompem ruídos, criam só som são, tesão.

Amados no terceiro ser, o nós, particípio presente, envolvidos, som tom verde, a cripta fluida, volta para estalo poesia, lábios geram só som sem mordaz, sim sagaz, olhos entrelaz.

Decididos, libertos caminham.
  

Tangente Verde - Poesia


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Um ponto nos une, convergente, tangente verde.
Sinal verde, tintilante, brilhante dourado, só nosotros vemos.
Sentimos, cheiramos, presente meditamos.

Presente de ancestrais, um beijo nos une, somos de Cascais,
enfim depois de tais, ascetas, celtas, caboclos e gitanos que nos bendiz,
meditamos, confiamos, amamos.

Um ser verdadeiro criamos, em primeira e terceira persona, somos muitas personas,
as unimos, sem máscaras, no mesmo tom, no mesmo toque, no mesmo ponto da tangente, verde, que só nosotros a vemos, sentimos.

Libertos caminhamos.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Como Conheci o Amigo Iraquiano de Niemeyer.

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// Crônica publicada no jornal Folha de Tiête, interior de São Paulo em algum dia de 2008. Foto de origem desconhecida (internet).  

O arquiteto Oscar Niemeyer esteve exilado na Europa entre de 1966 e início dos 80. Estes 15 anos provavelmente foram com muitas andanças pelo velho continente num período de alta efervescência e vanguarda na região. 

Para o arquiteto o recém trabalho entregue de Brasília, cujo o consagrou internacionalmente, conflitava na sua cabeça com sua vertente comunista e idealista que o forçava sair do país pela ignorância da ditadura. 

Tento entender a mistura de política e a arte arquitetura com o que Niemeyer passou. O pensamento de um mestre zen talvez traduza um pouco: “Quando eu digo que este mundo é muito belo, mas ele está em mãos erradas, eu não quero dizer para você começar a lutar contra aquelas mãos erradas. 

O que eu quero dizer é: Por favor, não seja aquelas mãos erradas!”. Niemeyer tem esta essência, observe sua trajetória.


Muitos anos depois, em 2009, fui visitar um escritório de arquitetura em Doha, no Catar, o Diwan Al-Emara Architects. Quem me recebeu foi Tarik Aljeda, um iraquiano de aparência tranqüila e com muita energia já nos seus 90 e tantos anos de vida. 

Engana-se quem acredita que os expatriados iraquianos no mundo árabe são os mais agressivos, ao contrário, possuem fama de pessoas confiáveis, quietas e inteligentes com forte personalidade. 

Era o caso do arquiteto. Na parede da sala de reuniões, as fotos de obras grandiosas no golfo, mostrava suas credenciais de projetos de alto nível. A que mais me chamou a atenção era o edifício em Doha, o Al-Hitmi. Ângulos e balanços ousados, gostei.


A reunião corria com naturalidade e como toda reunião chegou aquele momento das amenidades. Perguntei sobre como era um iraquiano trabalhar no Catar e ele respondeu com tom amistoso: “Aqui estou bem, mas eles estão destruindo o meu país...”.

As entrelinhas queria dizer algo mais: “Quando se fala de Iraque já se pensa em guerra e destruição, este é o estigma, estou aqui, em paz, mas meu coração está lá... onde estão acabando com tudo.”.


No desenrolar da agradável conversa chega o momento de falar do Brasil. “E como anda o Niemeyer?”, pergunta Tarik . Respondi, naturalmente com muito orgulho, que ele havia passado dos 100 anos e continuava traçando curvas e tudo mais. “Conheci Niemeyer em Londres, na década de 70”, completou Tarik com um ar de saudade do velho amigo. “Sua suavidade ao falar encantava. Grande homem e amigo o arquiteto das curvas...”, concluiu.


Foi bom conhecer o iraquiano Tarik e ser brasileiro como Niemeyer, compartilho com vocês nestas palavras a experiência. 

O mundo é belo por que existem pessoas belas como eles, que mesmo ao longo dos anos de momentos difíceis, são seres que se sincronizam entre si e produzem um mundo melhor, longe das boçalidades de mãos erradas.

Gato Tesserato

Tangente sangue verde, transente, transpassa, romance com o desconhecido nasce, interlaça. O gato fascina, pulsa, instiga almas numa veia ...